Amor e Casamento
por Marcia Mendes
Uma informação, nota de rodapé de um trabalho acadêmico, me chamou a atenção: A palavra mais procurada na principal ferramenta de busca da internet é Amor. Teóricos de várias áreas do conhecimento humano têm tentado explicar o que é o amor. Platão tentou dar conta dessa questão criando a parábola da teoria das esferas que diz que todo ser humano era uma esfera, até que um dia as esferas se dividiram. Desde este dia, cada um busca ardentemente a sua metade. A compreensão do que é o amor tem ocupado o fazer filosófico desde a Grécia antiga. A língua grega detém as três principais acepções do amor: Eros, Philia e Ágape. Aristóteles tenta explicar o amor pelo viés da philia, - amizade. Hesíodo coloca Eros, filho do caos na Teogonia primordial. Ágape, no entanto, sempre teve um viés cristão. A discussão teológica é bastante ampla, com arestas diferentes, mas com um cerne absoluto: a origem do amor é Deus.
O fato é que todos nós temos necessidade de amar e sermos amados O amor é indispensável, sem ele perdemos o desejo de viver, de fazer planos, de sonhar. O amor nos traz bem-estar e alegria em quantidades suficientes para nos mover psíquica, física e socialmente. Sem o amor implanta-se em nós uma carência tal que nos leva a estados depressivos, ao uso contínuo de medicamentos, à internações e divórcios. O amor é tão fundamental para nós que uma criança que não tenha suas necessidades afetivas satisfeitas desenvolve distúrbios emocionais e de desenvolvimento. O amor é basilar no casamento. Sem ele abre-se uma fenda na família que acaba preenchida por frustrações, alcoolismo, drogas, infidelidades, rebeldia e desrespeito. As famílias estão infelizes por falta de amor.
Mas de onde vem o amor?
O amor é presente de Deus. Deus é a fonte de todo amor.
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". (João 3.16)
Jesus é a mais viva demonstração de amor. Este insuperável amor de Cristo é o que deve fundamentar nossas relações.
Amor não é sentimento, amor é afeto. Sentimentos são atravessados por nossos sentidos. Apesar de enganosos, são os responsáveis por influenciarem nossos estados emocionais e comportamentais. Anestesiam nossas mentes, nos iludem e se modificam facilmente. A paixão é um sentimento. Essa força atrativa que geralmente marca o início do relacionamento homem-mulher é fugaz e, exatamente por esse motivo, não deve fundamentar o casamento já que não se sustenta frente às adversidades pelas quais todos nós, em algum momento da vida, somos chamados a enfrentar. Esta é a principal razão de muitos casamentos desfeitos com tantas frustrações, angústias e desilusões.
O amor vem de Deus.
"Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece Deus."(João, 4:7)
A boa-nova que marca e permeia o evangelho de Jesus é o amor. Através dele, alçados filhos de Deus, descobrimos o grande amor de Deus por nós, e mais, somos convidados a amar a Deus e injetados por este amor, distribuí-lo aos que conosco convivem.
"O principal mandamento é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e, de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este” (Mc 12.29-31).
Na carta ao povo da igreja de Éfeso, Paulo nos fala desse amor ágape: "Por causa do grande amor com que nos amou..." (Efésios, 2:4)
A riqueza trazida por Jesus é o amor, a simplicidade libertadora em uma palavra. Não há segredos ou atalhos. A vontade do Pai foi consumada por Ele na cruz e Seu grande amor por nós foi revelado. Deus é amor, somente através Dele, fonte amorosa, o amor nos é infundido para que seja refletido no outro. Viver em unidade com Deus é beber de Seu profundo amor.
Quando tenho a oportunidade de falar a um casal sobre o casamento digo que casamento é unidade profunda, mantida pela vontade e fortalecida pelo desejo. Digo mais, não há casamento se não há amor. Não há amor se não há unidade.
A unidade na relação a dois pode ser traduzida pelo respeito, pela cumplicidade, pela amizade, pelo cuidado com o outro, pela atenção, pelo carinho, ou seja, pela comunhão de ideias, corpos e mentes. E essa unidade só é possível através de Deus. Deus precisa estar no casamento, ninguém mais. Só Deus é capaz de infundir em nós o amor verdadeiro que envolve compromisso, aceitação incondicional, responsabilidade, respeito, perdão e doação. Amar é doar-se ao outro, sem restrições.
Para concluir, não há como falar de amor e não citar o que Paulo fala na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 13.
"Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,
não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.
Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor."
Somente através do amor é possível manter um casamento avivado pelo prazer, pela alegria e pela paz. O amor nos resgata da pobreza espiritual, das ilusões da mente e do tédio, âncora do tempo.
O que eu gostaria de pedir agora, pra você que leu esse texto, é que, em nome de Jesus, Deus se faça presente em seu casamento e em sua vida, transformando em amor aquilo que é potência amorosa.